domingo, 6 de outubro de 2019

Gestão Por Competências


Gestão Por Competências


Constâncio Tsambe[1]

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Resumo
O presente artigo faz abordagem á gestão por competências nas Escolas Profissionais do Nível Médio. A elevação da competitividade numa instituição de ensino, tem impulsionado mudanças profundas no ambiente escolar, exigindo da organização um melhor gerenciamento de suas competências. O objectivo deste trabalho é identificar as competências (conhecimento, habilidade e atitude) de diversos cargos que gerem Instituições de Ensino Médio Profissional, cujo modelo é o EBC (Ensino Baseado em Competências) ou CBT (Competence Based Education), nomeadamente, Director do Instituto, Directores Pedagógicos, Chefes de Departamento, Directores de Anos, Directores de Turma. A metodologia utilizada é a pesquisa bibliográfica. Como resultado, pode-se observar que existe uma diferença no foco de visão destes gestores, principalmente no que tange a Habilidade e a Atitude pertinente ao cargo. Conclui-se neste trabalho que a gestão de competências se constitui em um instrumento valioso para a visualização das competências essências ao cargo.

Introdução
O sector da Educação Profissional, vem passando por profundas mudanças organizacionais, principalmente em decorrência da implantação do Currículo Baseado em Competências nos Institutos Técnicos do Nível Médio. Castells (1999) coloca que um dos principais motivos das mudanças organizacionais é a incerteza causada pela velocidade das mudanças tecnológicas e económicas, levando a um aumento da flexibilidade do gerenciamento escolar como um todo.   Ulrich (1998) ressalta que a realidade competitiva demanda uma maior capacidade de organização interna, capaz de adicionar valor a investidores, professores, ainda não formadores embora com funções já iniciadas, alunos ou formandos, e funcionários. O mesmo autor salienta que se a capacidade de organização tornou-se um enorme desafio para os gestores destas organizações, estes devem encontrar novas propostas e metolodogias de trabalho mais efectivas e democráticas, para melhorar a capacidade das suas escolas em função das competências próprias de cada gestor.

 e  Dentro deste parâmetro, o setor de RH exerce um papel fundamental nas organizações, classificado por Fleury e Fleury (2000) em três aspectos principais: o primeiro aspecto está relacionado ao real envolvimento das pessoas nas estratégias empresariais, necessitando que o setor de RH tenha grande poder de decisão e de formação de suas políticas de gestão. O segundo refere-se ao sistema de remuneração, que deve estar atrelado às pessoas e não somente no cargo e sua estrutura hierárquica tradicional. E, por fim, os autores colocam que a necessidade da formação de competências considere a formação educacional do indivíduo e a participação deste em treinamentos direcionados.       Para Boog et al. (2002), o treinamento é uma ferramenta que proporciona o aperfeiçoamento ou a inclusão de Conhecimentos, Habilidades e Atitudes, sendo que este conjunto de características combinado pode trazer grande vantagem competitiva para as empresas.      Um tipo de organização que tem deparado com uma forte necessidade de melhorar a sua capacidade de organização interna são as Instituições de Ensino Superior (IES), que vem enfrentando um cenário muito mais dinâmico, como conseqüência direta da expansão do ensino superior no Brasil, mais precisamente a partir da última década. Neste novo ambiente, os coordenadores de curso estão sendo exigidos não mais somente em relação aos conhecimentos técnicos de sua área, mas também da sua capacidade de lidar de maneira flexível com as contingências de mercado.

     Dutra, Hipólito & Silva (1998) conceituam a competência como sendo a aptidão da pessoa em provocar resultados dentro do escopo organizacional.     
A gestão de competências é uma forma avançada de administrar pessoas, sendo que sua sustentação está nos conhecimentos requeridos pela empresa para que seus objetivos sejam alcançados e na maneira como esses conhecimentos são disseminados entre os profissionais. Entre os principais objetivos da adoção de uma gestão por competências para Boog et al. (2002), destaca-se:
• Entender, organizar e disseminar os conhecimentos ligados aos negócios e as estratégias da empresa; • Ser o instrumento de comunicação de mensagens de atitude, conhecimentos e habilidades esperadas de cada empregado;
• Formar uma base de dados sustentável e confiável para as avaliações de desempenho;
• Servir como valiosa fonte de informação para as necessidades de treinamento, planos de sucessão, carreira, seleção e remuneração;
• Comprometimento de líder na gestão efetiva e no desenvolvimento da sua equipe;
• Transparência nas relações internas. 

Zarifiam (2001) define competência como a aptidão que um indivíduo tem em ser proativo, de ir além do que está previsto. O autor ainda relaciona a competência com o conhecimento prático de experiências antecedentes.      
Para Ruano (2003) a gestão de competências está diretamente ligada à área estratégica da empresa, se constituindo em um recurso importante para a gestão de pessoas e aorganização, tendo como conseqüência uma atuação voltada para resultado e fornecendo suporte para o cumprimento dos objetivos e metas organizacionais.
Segundo Dutra (2001), a gestão de pessoas tem como função o estímulo e o envolvimento dos funcionários. Para tanto, a gestão de competência pode ser considerada um instrumento poderoso na efetividade deste processo.      
Para Marras (2000), entre os diversos fatores que fazem com que uma empresa invista em seu funcionário, estão:
• Quociente de inteligência;
• Nível de inteligência emocional;
• Qualidade educacional;
• Identificação com a cultura organizacional;
• Nível motivacional;
• Habilidade negocial, técnica e/ou decisória;
• Espírito de liderança;
• Maturidade;
• Background sólido;
• Trajetória estável.     
É importante ressaltar que os fatores descritos por Marras (2000) envolvem competências relacionadas com o comportamento do profissional.       Rabaglio (2001) expõe que as competências também podem ser categorizadas em:
• Básicas: são relacionadas à cultura organizacional e demonstradas nos Currículos de todos os profissionais da empresa. 
• Diferenciadoras: são os comportamentos de maior freqüência nos profissionais excelentes e que se distinguem dos profissionais proficientes. 
• Estratégicas: são as competências percebidas como essenciais para viabilizar a visão estratégica da organização.     
Já para Resende (2001), as competências podem ser categorizadas da seguinte forma:
• Técnicas: Domínio apenas de determinadas especialidades;
• Intelectuais: Aplicações de aptidões mentais;
• Cognitivas: Misto de capacidade intelectual com domínio de conhecimento;
• Relacionais: Envolvem atividades práticas de relações e interações;
• Sociais e políticas: Relações e participações na sociedade;
• Didático-Pedagógicas: Voltadas a educação e ensino;
• Metodológicas: Técnicas e meios de organização de atividades e trabalhos;
• Lideranças: Habilidades pessoais e conhecimentos de técnicas de influenciar  e conduzir pessoas;
• Organizacionais: Competências de organização e gestão empresarial.      
Todas elas são levadas em consideração na avaliação de desempenho dentre da realidade e cultura da organização.
3.1 - Conhecimentos, habilidades e atitudes (C + H + A)

     Segundo Durand (1998 e 1999) apud Vieira (2002) a competência é baseada em três dimensões – Knowledge, Know-How and Attitudes (conhecimento, habilidade e atitude),
englobando não somente as questões técnicas, mas também de cognição, necessárias à execução de um determinado trabalho.     
A junção das três iniciais (CHA) é tudo o que uma função/cargo de uma empresa exige para que o serviço/produto seja bem administrado e de boa qualidade. No entanto, estas atribuições precisam estar bem definidas e atualizadas. Rabaglio (2001), define significados para essas letras, assim como segue:
• C = Saber (conhecimentos adquiridos no decorrer da vida, nas escolas, universidades, cursos etc, ex: Conhecimento da concorrência e técnicas de negociação); 
• H = Saber fazer (capacidade de realizar determinada tarefa, física ou mental, ex: Análise da concorrência e negociação);
• A = Querer fazer (comportamentos que temos diante de situações do nosso cotidiano e das tarefas que desenvolvemos no nosso dia-a-dia, ex: Participar da concorrência e fazer negociações). 

Fonte: Adaptado pelo autor (2018)



Como montar um Perfil de Competências (PC)

     Rabaglio (2001) coloca alguns passos para o mapeamento do CHA na organização, sendo eles:

1º - Estabelecer parceria entre as áreas da empresa: conscientizar, sensibilizar e orientar tecnicamente o cliente interno, para que ele entenda com clareza qual o seu papel e perceba que o resultado não é de responsabilidade exclusiva da área de RH, e sim um trabalho conjunto de responsabilidade compartilhada, visando uma integração entre todas as áreas da empresa. 
2º - Buscar os Indicadores de Competências: verificar as necessidades relativas ao cargo e identificar os indicadores relativos ao conhecimento, habilidade e atitude.
3º – Verificar o grau de importância de cada competência: verificar o grau de importância de cada competência através da utilização de algum modelo de mensuração. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS

     Este artigo teve como finalidade principal à identificação das competências do cargo de coordenador de curso de administração sob a ótica do diretor e coordenador de curso.       A partir da pesquisa bibliográfica foi elaborado o quadro 2, que permitiu identificar as principais competências para o cargo de coordenador de curso. Através da utilização do quadro 3, foi possível verificar o grau de importância de cada competência, ficando claro de visualizar no quadro 4 os principais pontos críticos relativos ao conhecimento, habilidade e atitude no cargo em estudo.      Levando em conta os resultados da pesquisa, concluiu-se que enquanto o coordenador de curso tem uma visão mais interna com relação às competências, o diretor dá um peso maior às competências relacionadas ao mercado. Conclui-se também que a gestão de competências se constitui em um instrumento valioso para a visualização das competências essências ao cargo. Recomenda-se que a IES em estudo ajuste o foco de visão de ambos, diretor e coordenador, principalmente com relação às habilidades e atitudes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BOOG, Gustavo & Magdalena. Manual de gestão de pessoas e equipes. 1ª edição – Editora: Gente, São Paulo, 2002.

CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede – A era da informação: economia, sociedade e cultura. São Paulo. Ed. Paz e Terra, 1999. CHOPRA, Deepak. A alma da liderança.  [on line] – disponível em <www.hsm.com.br> , data de acesso: 02/10/2006.

DUTRA, Joel de Souza. Gestão de Competências. São Paulo: Ed. Gente, 2001.

DUTRA, Joel Souza, HIPÓLITO, José Antônio Monteiro, SILVA, Cassiano Machado. Gestão de pessoas por competências: o caso de uma empresa do setor de telecomunicações. IN. Anais do 22o encontro da Associação Nacional dos Programas de Pós-graduação em Administração – ENANPAD. Foz do Iguaçu: ANOAD, 1998. FLEURY, A. & FLEURY, M. T.L. Estratégias empresariais e formação de competências: um quebra-cabeça caleidoscópico da indústria brasileira. Atlas, São Paulo: 2000.

MARRAS, Jean Pierre. Administração de Recursos Humanos: do operacional ao estratégico. 1ª edição – Editora: Futura, São Paulo, 2000.

RABAGLIO, Maria Odete. Seleção por Competências. 2ª edição – Editora: Educator, São Paulo, 2001.

RABAGLIO, Maria Odete. Seleção por competências: uma ferramenta diferenciada para captação de talentos humanos. [on line] – disponível em <www.rabaglio.com.br>, data de acesso: 22/11/2006

RESENDE, Ênio. O livro das Competências. 1ª edição – Editora: QualityMarky, Rio de Janeiro, 2003.

RUANO, Alessandra Martinewski. Gestão por competências – Uma perspectiva para a consolidação da gestão estratégica de recursos humanos. Ed. Qualitymark, São Paulo, 2003.
OLIVEIRA, Silvio Luiz de. Tratado de Metodologia Cientifica.Pioneira. 2ª ed, 1999. ULRICH, Dave. Os campeões em recursos humanos: inovando para obter melhores resultados. São Paulo. Ed. Futura, 1998.
 VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração, 3a ed., São Paulo: Atlas, 2000.

VIEIRA, Francisco Pedro. Gestão, baseada nas competências, na ótica dos gestores, funcionários e clientes, na empresa de assistência técnica e extensão rural do estado de Rondônia – Emater, RO. Dissertação de mestrado apresentada na Universidade Federal de Santa Catarina, 2002.

ZARIFIAN, P. Objetivo Competência: por uma nova lógica. São Paulo: Atlas, 2001.


[1] Mestre de Ciências de Educação e Professor de Geografia Económica e Comércio Externo no IICM.

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